Thursday Jul 29

DJ Bunnys

O TechnoPride entrevista Bunnys, um dos fundadores da DJ BAN e um dos melhores djs do Brasil!!!  

TechnoPride: E ai Bunnys, tudo bem? Queríamos dizer que e um prazer enorme entrevistar vc exclusivamente pro novo site TechnoPride!!
 
Bunnys: Obrigado amigos pela oportunidade, é um prazer também pra mim. Boa sorte nessa nova empreitada!


TechnoPride: Queremos saber um pouquinho mais sobre você mano; conta qual foi o seu primeiro contato com a musica eletrônica, quando e como foi ??
 
Bunnys: Bem, sou paulista, de 1973 (quase velho), desde 1989 sou fascinado pelo mundo da musica e me sinto vangloriado por poder viver dela com minhas atividades. Em 2002, tive minha primeira experiência profissional e fiquei por 5 anos nesse club - warrior - depois fui pra sound factory (2 anos), club que foi essencial na vida de muitos djs, onde pude ali ouvir diferentes sons, que não sabia ao certo nomes, rótulos, mas acho que o primeiro contato foi ali (ouvindo em meados de 1993, 1994), porém antes disso já tocava acid house, garage, midi flashs, alguma coisa voltada ao som alternativo e alguns clássicos também chamados de eletrônico, etc.
 
TechnoPride: Como e quando você aprendeu e começou a tocar?
 
Bunnys: Na ocasião, não haviam cursos e tantas instituições que ministram aulas de dj, então a saída era aprender olhando, que foi o meu caso. Aprendi muita coisa vendo outros djs (tecnicamente) e depois muito mais conteúdo com as pistas (feeling). Ainda em 1990, com minha primeira equipe de som, os equipamentos eram precários, toca discos inclusive sem pitch, o que era preciso adiantar ou atrasar a velocidade do prato com o dedo. Aprendi na marra, mas demorou um tempo viu... Não foi assim, da noite pro dia, e hj ministrando cursos percebo que muita parte teórica fez falta e ajuda muito a quem consegue utilizar desse caminho, que é com certeza mais curto.
 

TechnoPride: Antigamente, quando você começou, como era ser dj? Como eram os equipamentos, o publico, clubes, festas, o retorno financeiro, etc..?
 
Bunnys: Pela historia que escuto (não participei dessa época), os djs eram taxados de vagabundos e similares... Não é difícil entender um pai ou uma mãe pensar e acreditar que o filho seja um advogado, um médico, não um dj... Hoje mudou muito já que o dj conseguiu status de artista, teve um ápice e tb uma apologia errônea que o desgastou um pouco pela mesma mídia que o levantou, mas acontece. Os equipamentos eram bons e caros (alguns) como hj em dia, no entanto nesse mundo sempre se teve o modismo ou seja, qdo um club usava X e aquilo era legal, todos os outros tb usavam (ou queriam - como hj)... Mas claro, não se compara ao que temos na mão hoje e mesmo sendo caros, temos mais facilidades de conseguir. O publico era menos xiita, acho... As pessoas saiam pra se divertir, hj rola, mas há mais gente pra dizer se o que aconteceu é certo ou errado. Não se trata de democracia, sim de ideologias. E em determinado momento (hj ainda tem mas não como antes) o dj era mesmo o cara do feeling, a tocar de acordo com o publico que ele ia topar... Hoje, dependendo da festa, se o dj inova, muda, pronto! Já é motivo de seguidores, pessoal ali do lado começar a xoxar. Clubs tinha mais, que eram ecléticos na sua grande maioria, como hj. Festas não eram tao bem produzidas como hoje, mas acredito que as pessoas se divertiam mais. Retorno financeiro é e sempre será uma incógnita. Penso que é um direito você receber pelo seu trabalho, mas quando se entra no campo quanto ganhar complica. Dou exemplo de jogadores de futebol, ao qual você tem meia dúzia na mídia, que ganha milhões por uma temporada e outros tão bons que ganham salários normais quanto um funcionário de qq empresa. E olha que estamos no país do futebol, não no dos djs.. (rs). A dica que dou é: se queres dinheiro, vá trabalhar num banco, viver só de dj é possível, claro, mas você precisa passar por várias etapas, e nem sempre isso é da noite pro dia... Se tens caixa pra segurar isso, ok, mas ainda não é garantia de nada ocorrer. Fato! E se tem uma coisa que o dinheiro não pode comprar é Talento.  
 

TechnoPride: Agora falando de estilos musicais; explica um pouquinho da sua
caminhada ate chegar no Techno; o que você tocava antes, como foi chegar ate
os dias de hoje?
 
Bunnys: Sou dj desde 1992, em 1994 entrei e fiquei por 10 anos numa emissora de radio como locutor / dj, então sempre fui convidado a tocar em festas por trabalhar na radio, não pelo que eu tocava... Então veja; Era preciso dançar de acordo com a musica - eu e o publico - porém o segmento (rótulos) veio a partir de 1996, 97 e não optei por um só estilo já que tinha uma agenda considerável nesses bate carteira - com respeito e orgulho - que eu fazia. Eu tocava alguma coisa que eu quisesse impor, mas o que imperava era o som predominante da casa que me contratou pois o artista era o locutor, não o dj... Isso foi me torrando a mente, ganhar dinheiro era legal, mas não era meu foco apos um momento. Parei de tocar em 1997/98! Viajei pra fora em 1999, entrei numa loja de discos, gastei minha grana, voltei e comecei a analisar meu retorno. Isso só aconteceu oficialmente em 2001, momento pelo qual assumi um programa de radio (metro tech) tocando tech house, techno numa emissora praticamente pop e não é questão de fiz opção pelo techno naquele momento, sempre gostei do estilo e apenas comecei a me informar mais sobre, conhecer mais, ouvir mais djs, etc. Resumo: falo e não acreditam, mas ainda engatinho no techno, tenho muito a aprender. Meu som é musica boa, independente do estilo, mais segmentado portanto e uma tendencia, então não gosto de rótulos e nem ser rotulado. Se cabe no meu set, toco.


TechnoPride: Fala um pouco da evolução q rolou de antigamente para os dias
atuais, o q mudou na cena, no publico e a maneira de enxergar o dj, festas,
etc..e o q vc acha q ainda precisa evoluir?
 
Bunnys: Bom, respondi alguma coisa disso sem querer há duas perguntas. (rs).
Resumidamente, como dirijo uma escola de djs, que criou salas de treino no Brasil,  posso dizer com clareza que ter um par de cdj em casa e um mixer vai ser tão normal quanto ter um video game, isso é uma evolução. Se a pessoa não tiver essa condição (seja o motivo), ela usa nossa sala com equipamentos TOP e paga 15,00 (isso é muita evolução - quem dera tivesse isso qdo comecei)

Festas: Mais caras e melhores... Mas em tudo que o dinheiro (magnatas) entram, prostitui-se uma parte... Fato! Tem gente que acha que o dinheiro pode comprar um espaço pra tocar, até pode, mas talento... Então, nesse sentido, o que falta pra evoluir ?
Resposta: evoluir

Cada um fazer sua parte pra um todo, não pra si. Da festa impor, ter qualidade e do publico pagar seu ingresso, valorizar projetos em que acredita, não nos projetos que todo mundo vai.
Do dj parar de reclamar e correr mais atrás, fazendo sua festinha pra 10 pessoas e tocar... depois sobe pra 11, 12, 100. Quer ter uma festa melhor? Faça a sua.
Quer um site do seu jeito, uma revista, TV, radio ? Faça!
 
TechnoPride: Sabemos q você ficou um tempo afastado dos decks em meados de
97; queremos saber a que você se dedicou nesse tempo?
 
Bunnys: Então, nesse ano as casas fecharam: Toco, Over Night, Sound Factory, Warrior, etc... Eu já tava meio cheio tb de afazeres, tinha acabado de montar um estúdio (jan/ 1997) de produções de áudio em geral, tinha a radio entre 6 e 10 da manha, algumas festinhas ainda e mais a radio no final de semana, depois casei em 98, tive meu primeiro filho que hj tem quase 9 anos, enfim, alguém tinha de rodar e não deu outra; Optei pelo que menos retorno financeiro me dava, até pq tinha essas novas obrigações e estava me matando de trabalho e trabalho, sem pesquisar, se informar, captar material pra tocar. Sou assim: ou to na linha ou não tô. Então ia pra festas, curtia, mas não era como no inicio. E perdi muita coisa legal que ocorreu após o segmento de estilos, onde vários djs (muitos inclusive que me viam tocar) se deram bem em agencias, festas que começaram a surgir ali em 97, 98 e não dei muita bola como megavonts, xxxperience, sp groove... Resumo: Vc, como dj, parando dois anos, é como se fosse uma eternidade. Depois vc volta e percebe que não importa o que vc fez, é... Tem de pegar a fila de novo e o fiz, começando do zero, humildemente, respeitando a todos e sigo assim até hoje. Hj o estúdio (diesel produções) grava 99,9% de bandas, e é uma das pequenas empresas do grupo djban.
 
TechnoPride: A DjBan eh conhecida hj em dia como uma das maiores escolas de
djs, alem de ser um espaço cultural para os djs e para todos os interessados
em musica eletrônica e na arte da discotecagem; conta pra gente como surgiu
a djban, como cresceu tanto e o que você tem em mente para o futuro
envolvendo a DjBan?
 
Bunnys: Obrigado! A djban surgiu em 2001 tb, no meu retorno, mas não com esse nome... Na verdade, alguns ouvintes do cuco loco,  um programa que apresentava nas manhãs da Metropolitana FM e que acordava o povo entre 6 e 8 da manhã, pediram que eu ministrasse um curso de locução. Pensei em ministrar os dois cursos (loc + dj) uma vez que eu também tocava na radio. 9 de junho de 2001 aconteceu então a primeira turma, e ao ensinar, aprendi muito mais, fato pelo qual prossegui. A coisa fluiu, tinha já um domínio pra meu site artístico, o www.djban.com (já que ng sabia e ate hj rola duvidas de como escrever meu pseudo bunnys, bannys, banis, etc). Usei esse domínio então pra ser o nome da escola, que a partir de então começou a profissionalizar esse mercado, oferecendo equipamentos de ponta em salas de aula, treinamento, gravação de sets. Depois veio a primeira feira de djs do brasil, disso já partiu pra loja (loja vip djban - com site e loja virtual prestes a ser lançado). Ainda hj recebemos discos e equipamentos pra venda em consignação. O estúdio já tinha conforme comentado, ainda existe (diesel produções). Meados de 2004, ao sair da radio, investi em poucos equipamentos de som e hj em dia temos a Migas Sound System (junção de mi + ga = mirella e gabriel schiavon, meus filhos), que é outra pequena empresa do grupo djban. São seis anos de muito trabalho, profissionalismo, respeito e prestação de serviços. Alguns projetos não saíram da gaveta como o Canal DJ, que em 2003, 2004 era pra ser estreado, não rolou. E alguns outros que vão pintar, porém o espaço físico já não é mais suficiente, e olha que temos 160 metros quadrados com Estúdios DJ 1, 2, 3, Estúdio digital + Estúdio analógico, além da lojinha.
 
TechnoPride: Você já fez turnês internacionais; conta como foi, por onde
você passou la na gringa, como foi recebido, o que você achou do publico e
da cena dos países q você esteve?
 
Bunnys: Bom, vejo a coisa assim:
1- Vc tem faixas e é conhecido, por isso faz turnê.
2- Você é um excelente DJ, renomado no seu país e pode ter sido convidado por alguém que o viu.
3- Você contrata djs de fora, logo, se ele curte seu som, estilo, pode tb levá-lo. Seja uma negociação prévia ou não
O 1 não se enquadra pra mim. Só tenho uma faixa própria com DJ Link e um bootleg com Nori, além de não ser eu ainda que aperta botoes...
No caso 2, tb não me enquadro pois moro em São Paulo, não sou agenciado, não tenho contatos fora e toquei muito pouco pra fora do estado...
Sobrou então o 3, que trazendo pela primeira vez ao Brasil, o DJ Português Link, tive oportunidade de ser convidado pra uma de suas festas (não foi uma troca que fizemos, mas rolou), aproveitei, fiz contatos e consegui tocar em mais lugares. Então rolou de tocar no Porto e Lisboa pelos contatos do Link, armei Londres e Espanha. As festas não foram como esperado (de publico) mas culturalmente muito me ajudou, a ver com olhos, saca ? Não deu dois meses e voltei pra outra turnê... E esse termo turnê é usado já que não tem outro nome, na verdade toquei em 4 festas na primeira e 3 na segunda, não vejo isso como turnê, TURNÊ mas já é algo na carreira de um DJ, ainda mais pelo fato de não ter faixas próprias, não ser reconhecido mundialmente por isso, mas ter voltado tão logo apenas por uma boa apresentação na primeira vez que fui. Toquei em festas relativamente pequenas, algumas com concorrência fortíssima tendo eu como atração principal (e não sendo conhecido, complica). Poderia chegar aqui, dizer que quebrei a banca, toquei nisso, naquilo, etc, tal, mas não sou disso... Fui lá, toquei meu som, não foram festas grandes, não deu pra ser como queria, mas ao menos fui convidado, tive minhas despesas pagas, trouxe uns eurinhos ainda pra casa e to pronto pra próxima. Há muitos casos de djs que saem pra viajar e falam que vão fazer turnê, não foi meu caso. Tenho planos e precisarei pagar algumas despesas num futuro próximo já que pretendo viajar para outros países, se assim rolar, tentarei algumas datinhas e a coisa se ajuda num todo (rss).  Fui recebido muito bem, sem pinta de pop star, claro... Não pedi 100 toneladas de toalhas brancas, bla bla bla. O publico em si (ao menos onde toquei) achei bem frio (se comparado ao publico que temos aqui) nesses lugares onde passei, a cena passa tb por reformulações e muito do que curtimos hoje em dia deixou de ser novidade faz tempo pra eles (pra nós tb né). Mas fiz o meu papel. 
 
TechnoPride: Recentemente você gravou ‘‘4 sets com o preço de 4 discos’’, ou
seja, todos os sets mixados em cd; você diria que você se adaptou aos novos
formatos digitais ( a chamada ‘era do cd’)? Você acha que o vinil esta com
os dias contados?
 
Bunnys: Na verdade foi uma homenagem ao site de downloads beatport, mas tinham alguns vinis no meio. É que na ponta do lápis, quis dar esse entender e o realizei. Eu sou uma pessoa de fácil adaptação, mas em festas, ainda opero 95% ou mais com discos. Não se trata disso ou daquilo. Porquanto puder comprar discos, tiver no mercado, o farei. Mas tb não sou um cara que fica com olhos fechados ou reclamando que quem é isso toca com isso, com aquilo é outro isso... A tecnologia esta aí, mas muito mais importante que a mídia, considero a pista. Sim, o vinyl esta acabando. Acreditava que isso demoraria um pouco mais, mas não, esta bem mais rápido. Pena.  
 
TechnoPride: Você pensa em um dia usar o serato, final scratch, ableton ou
outro software para tocar?
 
Bunnys: Sim, todos se possível, até juntos se bobear... Só não tive tempo ainda de me adequar. Costumo dizer o seguinte pra algumas pessoas sobre técnica: Que isso é importante, mas não é tudo. Que tecnologia é importante, mas não é tudo. Pode-se hoje uma pessoa que começou ontem, operar um equipamento de ultima geração que faça coisas imagináveis nesses quesitos acima, porém o que diferencia quando se comparado a alguns djs já de estrada são: feeling, bagagem, repertório... Essas coisas, não se consegue comprar, ou são encontradas em tecnologias ou técnicas apuradas.
TechnoPride: Em seus sets podemos notar que você usa todos os recursos
(efeitos, etc) que um mixer pode oferecer para um dj. Isso proporciona outro
contexto ao set; praticamente ‘transformando’ as musicas, criando ‘remixes
próprios’ em seus sets. Qual a sua visão disto??
Bunnys: Bem, primeiro obrigado por notar, porém você sabe o que esta falando, tb toca. Muitas pessoas não têm noção sobre isso. Então são dois lados. O lado que sabe o que você esta fazendo e o que esta ali somente ouvindo. Em suma, pode ser legal, como não. Eu mesmo tento me segurar já que estando na pista como ouvinte gosto de ouvir as músicas, micagens sim, mas não em todo o set do dj... Só que é difícil já ter datas legais ou festas (que entendam o som, o que vc esta fazendo, horários, etc.) então qdo rolam, você ali, com o botãozinho do capeta te chamando, pronto! É apertar e ver o que dá. O que posso te dizer com sinceridade e as pessoas que convivem comigo sabem é que não treino o que vou fazer numa festa (casa de ferreiro, espeto de pau). Ou seja, o que faço é real, em tempo real, sem treino algum, na raça mesmo. Aí então fica o lance: Se queres ser campeão da São Silvestre, corra 15kms por dia (isso é o que falo pra alunos - ainda dizendo que não se tem garantia de ganhar)... Como eu não corro, não posso reclamar que não chego em primeiro. Uma vez dando a cara pra bater, sou o verdadeiro em dizer que faço o que der na telha, tão quanto verdadeiro em dizer que pode ser legal ou me dar mal. É um risco que eu sei que corro.   
 

TechnoPride: Aproveitando esse assunto, queremos saber das suas
produções...Vc tem produzido? Já lançou alguma faixa?
 
Bunnys: Casa de Ferreiro, espeto de pau de novo... Olha, eu veementemente não concordo que loops são a formação de uma música. Não só isso. E tem muita gente fazendo isso, respeito, ok, mas não pratico. Não me vejo (por mais importante que seja) como produtor de música. Existem exemplos claros de ótimos produtores que vêm tocar e são um desastre como dj ou vice versa, então pelo menos por ora não vejo isso pra mim e torço pela qualidade sonora dos nossos hermanos. Tenho três faixas minhas de 2001, 2002 (ridículas, péssimas de qualidade final) que nunca dei pra ninguém. (rs)... No ano passado, qdo fiz as duas turnês, tive a oportunidade de ficar de férias no período, então atuava mesmo como um dj/produtor. Tocava, acordava, ia pro estúdio. Por isso produzi em parceria com o DJ Link a faixa DANA, num EP que ficou em primeiro lugar nos sites de download, que tinha faixas tb do ótimo produtor e dj Nori, Link, Peluzo e Wehbba. Aí sim, legal, acho que é preciso se dar pra coisa mesmo, ouvir coisa por coisa, não ir dando control c, control v e já é música... Então como aqui no Brasil, eu com minhas atividades não posso me dar a esse lance, não exerço ainda com a dedicação que a produção merece. A outra faixa foi em parceria com Nori, um techno grooveado com samples de (acho que não posso falar né.. não foi pedido, nem autorizado) rs....


TechnoPride: Conte um pouco sobre os seus projetos, festas...Como foi a
ultima edição da Spot com o Ant?
 
Bunnys: O grupo DJBAN é minha casa, me dedico na maior parte do tempo. Como se trata de um grupo, atuamos em vários segmentos, fato que as vezes um ou outro é necessário maior dedicação. Porém no quesito Festas, minha primeira grande experiência foi com E Force, realizadas 4 edições no Playcenter, com publico aproximado em 70.000 pessoas. Como sou apenas o produtor do projeto, dependo de terceiros pra sequência dele. Então paralelo a isso, sempre apoiei (com a Migas Sound System / djban) alguns eventos ao qual acredito. Nessas, realizei uma parceria em janeiro de 2005 com a primeira PVT - liderada pelo Gustavo Kuwahara - ao qual na medida em que o som aumentava, aumentava tb a PVT... Foi inevitável. Numa conversa com ele, chegamos num denominador comum (a Spot tem mais dois sócios - Lilian e Matheus). Virei sócio da festa, trouxemos Nick Grater na batizada Spot em março e agora em maio o retorno do Ant, com uma produção legal, um som exagerado de bom (rss), bebidas a preços honestos, papel higiênico no banheiro, etc. Ou seja, tem a ver comigo, esse lance de aliar qualidade as coisas, pensar no próximo. O resultado esta aparecendo, afinal são apenas duas edições de batizo, mais essas edições todas ao qual participei (exceto a primeira que não) e acompanhando o feed back do publico, acredito que estamos no caminho certo, sem atropelar ninguém, sem criar monopólio, apenas fazendo algo que acreditamos, amamos e esperamos continuar fazendo. O que fica bem claro é que a djban é uma coisa, as empresas que dela foram geradas são outras, bem como os respectivos sócios dessas ou demais projetos e minha carreira paralela de dj.


TechnoPride: Alguns djs como você; que tem uma técnica absurda, um carisma
único, conhecimento musical vasto e um repertorio gigante, ainda hoje não
tem o reconhecimento merecido. O que você acha que falta pra cena dar a
importância devida a artistas competentes como você?
 
Bunnys: Muito obrigado! E nossa, teria muitos caminhos a retratar isso. Vou citar o que acho e o por que acho.
Pessoas que acreditam no meu potencial ou aquelas que já conhecem meu trabalho e consideram que eu esteja pronto pra ter esse tal reconhecimento podem dizer que o que vou escrever não tem nada a ver. Porém, penso que se ainda não cheguei onde pretendo chegar (ou alguns gostariam que eu estivesse), a culpa é minha e preciso melhorar, seja no aparecer mais, seja na técnica, seja no repertório. Em resumo, há algo ainda que não esta certo.
Outros fatos porém (pra tentar explicar o que disse) são:
A resolução do que é reconhecimento merecido pra cada um:
Pra mim, é ver uma pessoa que conquistou seu objetivo como dj e tive uma pequena participação já que ela pediu uma dica, um conselho ou até mesmo fez o curso na djban.
Pra mim, é a sua entrevista, que nessa pergunta deu sua opinião. Como numa pista, dou valor a quem foi, viu, não a quem não foi, portanto dou valor a quem dá valor a mim e isso é um reconhecimento reciproco. Ou o dj, a pessoa que vem agradecer, elogiar o set que eu fiz...
Pra mim, é ser uma atração mais em conta ou mais acessível pra núcleos menores, não que não tenha valor, porém como há casos e casos, vejo cada forma de uma forma...
Pra mim, é poder fazer parte dessa nova safra, porém ter participado e ser respeitado também pelos grandes nomes que ainda existem ou existiram.... 
Agora tem gente que esse reconhecimento é ser chamado pra tocar (por exemplo) no Skol Beats... Penso que é uma recompensa pelo grande ano do dj, mas não vi isso na maioria das edições, então esquece e não é meu caso (rs). Sobre isso, digo:
Cada promotor, organizador, têm seus motivos a chamar 10 vezes o mesmo dj pra sua festa e não uma única vez outro profissional. É preciso respeitar isso e o faço.
Um site, uma revista, qq mídia pode querer acreditar em alguem, é normal...  
Quando sou convidado pra fazer warm up pra um dj, faço o warm up. Quando sou convidado pra abrir festa, vou lá e faço meu trabalho. Cada um tem um modo de pensar, eu tenho o meu. Se isso ajuda (penso a longo prazo) ou me atrapalha, amanhã pode até ser tarde pra saber, mas estarei satisfeito por ter atuado com coerência.
Em 15 anos de carreira vi muita coisa acontecer e como dito, no techno ainda sou muito nenenzinho (além de ser outra época)... Preciso esperar minha oportunidade chegar e assim o faço, mas mais que isso, procuro também fazer minha parte (do jeito que o mercado exige / e do meu jeito). Pois há muitos casos também que o mercado requer pessoas que sejam manipuláveis, e esse não é meu caso. Qto a sua pergunta de que acho o que a cena... Bem, não posso responder pela cena, posso e faço minha parte, seja alugando equipamentos de som de altíssima qualidade a preço sem igual, seja oferecendo cursos porém profissionalizando o mercado de djs, seja vendendo equipamentos em formas de parcelamento, seja fazendo (ou na parceria) uma pequena festa colocando gente que acredito(amos) pra tocar. Fazer festa pra uns significa ter espaço pra tocar, OK! Mas se todos fizerem festas pra se ter o melhor horário pra tocar, não valorizando artistas que poderiam melhor valorizar o evento (e não estou falando de mim), tb é um modo de não reconhecer, porém cada um cada um. É fácil reclamar depois que a coisa foi pra um lado... Eu procuro pensar antes. (mas não sou o dono da verdade).
 
TechnoPride: Para terminar, gostaríamos que você nomeasse as 10 musicas que
marcaram sua vida e sua carreira!!


Bunnys: Opa.. é difícil, tem mais que 10, mas xo ver: tirando  a primeira, o resto não ta na ordem ok.. meio que coloquei de acordo com estilos...
  1- technotronic - pump the jam (esse hit virou minha cabeça pra dance music)
  2- on my back - mishaj - essa musica retrata meu som :) 
  3- behind the weel - nori's version - mata a pau!
  4- dj link e dj bunnys - dana / apenas pra retratar um sonho realizado. se vai prosseguir é outro assunto :)
  5- dj tonio - icarus rush - outra visão!
  6- bizarre inc - playing with knives - no coments!
  7- robin s - show me love / abriu as portas pra muita e-music no radio.
  8- deee-lite - groove´s in the heart - hitaço lindo!!!
  9- joy & joyce - baby baby (baba mesmo.. adooooooro! - como eu cante isso!)
10- zapp & roger - varias... onde tudo começou curtindo chic show! 
 
TechnoPride: Bunnys, valeu mesmo por essa entrevista, foi um prazer poder
saber um pouco mais sobre sua trajetória, sua carreira e mostrar pra galera
nova ai que você e um grande profissional e com certeza um dos melhores djs
do Brasil!! Valeu!
 
Bunnys: Eu que agradeço, fico muito feliz de estar com vocês, mais uma vez boa sorte.

Por: Carolina Osório e Sérgio Muniz

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